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Background
Garras do destino
Era meados de Crepúsculo do Sol e os moradores daquela vila estavam terminando os preparativos para o inverno que já se fazia notar através dos primeiros flocos de neve. Enquanto os adultos e as crianças mais velhas guardavam os grãos da última colheita e defumavam peixes e carnes de caça, as crianças menores brincavam ali perto, para que não ficassem no caminho dos mais velhos.
Mas uma das crianças, uma menina de uns sete ou oito anos, chamada Silua Laeral, estava distraída brincando com um animalzinho que ela havia encontrado. Subitamente, ele se assustou com um barulho repentino e saiu correndo, a menina atrás. Tão absorta ela estava que acabou não percebendo que havia penetrado na floresta Lanmer, próxima da vila e que era proibida para as crianças, por causa dos animais selvagens. Quando ela se deu conta, já tinha entrado muito na floresta e não sabia para que lado ficava a vila, já que todas as árvores se pareciam.
Ela ainda tentou se localizar, usando o pouco conhecimento que havia aprendido com os mais velhos, mas sem sucesso. Então, o que era perfeitamente natural, dadas as circunstâncias, começou a chorar. Infelizmente, isso acabou sendo um erro, porque atraiu atenção indesejada: um urso negro faminto. Ela ainda conseguiu achar abrigo num tronco oco de árvore ali perto, mas o urso se aproximou, tentando pegá-la. Subitamente, o urso saiu de seu campo de visão e tudo que ela viu foi um borrão branco passando, logo acompanhado por sons de luta. Em poucos minutos, o barulho cessou, mas ainda assustada, não ousou se mexer, com medo do que poderia estar lá fora.
Alguns instantes depois, um animal surgiu na entrada do tronco: um grande felino de cor branca, com manchas cinzentas e pêlo comprido. Era, embora ela não soubesse – já que esses animais só eram normalmente encontrados nas montanhas geladas do norte – um leopardo-das-neves. Ela logo compreendeu que era o animal que havia atacado o urso. De alguma maneira, passado o susto inicial, ela percebeu que ele estava ali para ajudá- la e acabou saindo do seu abrigo. Olhando ao redor, não viu sinais do urso, embora houvessem algumas manchas de sangue no chão e inúmeros pêlos espalhados pelo local.
Ainda distraída, ela sentiu um leve puxão em suas roupas: era o felino. Quando ele notou que havia conseguido sua atenção, se postou um pouco mais a frente e fez um leve gesto com a cabeça, como se quisesse que ela o seguisse. Ainda hesitante, Silua começou a seguir o leopardo-das-neves através da floresta e algum tempo depois, começou a enxergar as casas de sua vila. O animal parou antes de chegar ao limite das árvores e deu a entender que ela deveria seguir sozinha a partir daquele ponto. Parecia estranho agir assim, mas ela notou, de alguma forma, que aquele não era um animal comum, por isso o agradeceu com um abraço e seguiu adiante. Uma rápida olhada para trás mostrou que ele estava voltando para o interior da floresta.
Logo depois ela caiu nos braços dos seus pais, que já estavam aflitos procurando-a, já que ninguém a tinha visto entrar na floresta. Ela contou o que havia acontecido, embora eles custassem a acreditar que um animal poderia ter agido assim. Um dos anciões da vila até aventurou a possibilidade de ser algum tipo de espírito da floresta. Embora que com a facilidade extraordinária das crianças, ela em poucos dias tenha se esquecido do incidente na floresta, a lembrança dele permaneceu em seu íntimo e depois de adulta ela iria saber a verdade sobre o felino que a havia salvado.
Vários anos se passaram, e Silua cresceu e tornou-se uma adulta de personalidade forte e independente. Ela desenvolveu uma certa afinidade com os animais, principalmente os felinos, tendo até mesmo criado e domesticado um filhote de lince que encontrou abandonado na floresta. Ela também aprendeu com o curandeiro da aldeia a arte de tratar de ferimentos, doenças e venenos usando plantas e outros recursos naturais, o que era extremamente útil, já que muitas vezes se juntava aos caçadores da vila, embora isso fosse bastante incomum para uma mulher. Como todo bom caçador, que muitas vezes precisa ficar dias longe de casa, ela aprendeu a extrair seu sustento da natureza, ao identificar plantas comestíveis, localizar fontes de água potável e observar o comportamento dos animais. Além disso, como a maioria dos moradores em idade hábil e que estivessem em boas condições físicas, ela fazia parte da milícia local, que protegia a vila contra eventuais bandidos ou algum monstro eventual que aparecesse. Isso lhe permitiu aprender a manusear vários tipos de armas comuns, como espadas, arcos e similares, além de armaduras leves, feitas com o couro dos animais caçados. E como a vila ficava a uma boa distância da cidade mais próxima e muitas vezes ela ia até lá para adquirir suprimentos, também aprendeu a cavalgar. Além disso, como a grande maioria dos moradores locais, aprendeu a nadar no rio que passava ao largo da vila.
Transformação
Corria o mês de Coração de Fogo de 3.010 e Silua estava voltando de uma viagem até uma vila distante, onde fora visitar um velho conhecido da família. Ao passar perto de Eiji foi emboscada por indivíduos encapuzados, e embora tivesse resistido bravamente, não tinha nenhuma chance contra a superioridade numérica dos atacantes, sendo rapidamente subjugada. Ao voltar a si, verificou que se encontrava numa caverna ampla e estava acorrentada a uma coluna decorada com estranhas marcas no centro da câmara. No chão embaixo dos seus pés havia uma figura desenhada, lembrando uma espécie de gato, porém com um aspecto demoníaco. Vários daqueles encapuzados estavam lá e pareciam estar esperando alguém chegar e, embora ela tenha tentado obter respostas dos seus captores, eles a ignoraram. Algum tempo depois, o que parecia ser o líder deles chegou e foi saudado pelos demais, depois se voltou para Silua:
- Vejo que você está acordada, jovem humana. Você deve estar se perguntando por que está aqui. A resposta é simples: está na época de um dos nossos rituais e precisamos de uma vítima.
Ao ouvir isso, Silua gelou. Ela já tinha ouvido falar sobre os misteriosos cultos que raptavam pessoas e as usavam como vítimas em seus rituais malignos. O líder observou-a por mais uns instantes, como se estivesse avaliando-a, e fez um sinal para os acólitos, que se posicionaram em seus lugares, ao redor da imagem no chão. Mantiveram uma distância respeitável, enquanto ele permaneceu o mais próximo possível, sem pisar na imagem, de frente para a jovem.
O líder tirou de dentro das vestes um objeto feito de prata e esculpido no formato da pata de um animal e ergueu a mão. Imediatamente os acólitos começaram a entoar uma espécie de cântico, numa língua estranha e algum tempo depois uma forma de energia começou a emanar deles e fluir para o item que o líder segurava. Assim que o objeto começou a brilhar, ele entoou algumas palavras e o apontou na direção de Silua, fazendo com que a energia a envolvesse.
Inicialmente ela só sentiu calor percorrendo o seu corpo, mas logo começou a sentir dor. Horrorizada, ela percebeu que pêlos começavam a brotar em seu corpo e era possível ver os músculos ondulando embaixo da pele, como se estivessem crescendo. A dor tornava-se cada vez mais insuportável e ela acabou gritando de agonia e, bem antes do término do ritual, ela perdeu a consciência.
Várias horas se passaram antes que ela acordasse e seu primeiro pensamento foi sobre o estranho pesadelo que havia tido, mas ao abrir os olhos, percebeu que estava num lugar desconhecido, parecendo algum tipo de abrigo abandonado. Ao tentar levantar-se, ela casualmente olhou para as suas mãos e descobriu que o acontecido não havia sido um pesadelo, e sim a realidade. Todo o seu corpo estava coberto de pêlos laranja, com manchas negras formando agrupamentos. As mãos e pés tinham virado algo próximo de patas com garras e ao apalpar a cabeça, descobriu um focinho curto, orelhas longas e pontudas e seus caninos haviam se alongado. Além disso, verificou que também possuia uma cauda longa, com o mesmo padrão de pelagem do resto do corpo. Ela havia sido transformada numa espécie de felino humanóide. E como se isso não bastasse, ela sentia uma presença no fundo de sua mente, algo feroz e bestial, como um predador a espreita, esperando um descuido de sua vítima para atacar.
Silua, embora ainda assustada com o que havia lhe acontecido, ainda conseguiu manter a mente no lugar, imaginando porque os cultistas fizeram aquilo e depois simplesmente a largaram sozinha naquele lugar. Será que a situação poderia piorar? Ela só sabia que precisava encontrar uma cura para sua condição, mas que não seria nada fácil, já que com aquela aparência, ela teria dificuldades em lidar com as pessoas. Também não poderia voltar para casa, já que os moradores de lá dificilmente entenderiam o que lhe havia acontecido. A primeira coisa a fazer era sair dali e descobrir onde ela se encontrava.
Várias semanas se passaram e Silua continuava viajando, procurando uma pista que a ajudasse a encontrar uma cura. Uma das poucas informações que conseguiu obter, indicava que talvez uma divindade menor, ligada aos felinos, chamada Bast, talvez pudesse ajudá-la . O problema é que as poucas pessoas que ela encontrava, que falavam com ela, não conheciam ninguém ligado a esse culto, ainda relativamente recente, ou onde ficaria o santuário dela. E embora ela tivesse recebido algumas habilidades felinas com sua transformação, a habilidade de se comunicar com felinos não era uma delas. Nesse período de tempo, ela notou que havia ficado mais forte e ágil do que era como humana, além de ter ganhado vários centímetros a mais na altura.
Muitas vezes, ela tinha sido obrigada a se refugiar em alguma floresta, para evitar pessoas dispostas a atacá-la, julgando-a um monstro. Enquanto permanecia nesses lugares, ia aprendendo o que seu novo corpo podia fazer, já que teria que se virar por conta própria enquanto não conseguisse uma solução. Felizmente, seu conhecimento de caçadora a ajudava nisso, além de ter aprendido a usar as garras e dentes como armas. Ela também descobriu que, como um felino, ela tinha uma certa facilidade em escalar árvores e outras superfícies onde suas garras poderiam se cravar. Seu senso de equilíbrio também melhorou assim como a habilidade de se aproximar de uma presa sem ser notada. E conseguia saltar mais alto e longe do que antes, além de conseguir pular de lugares mais altos sem se machucar.
Enxergando além das aparências
Certo dia, ela se encontrava na Floresta Negra, não muito longe da estrada que a atravessava, quando ouviu gritos e sons de luta. Curiosa, ela aproximou-se silenciosamente da estrada para investigar e viu que um grupo de salteadores estava atacando uma carruagem. O cocheiro estava morto com uma flecha na garganta e os dois guardas também haviam sido mortos. Os ocupantes do veículo, uma família composta de pai, mãe e duas crianças, estavam sendo rendidos pelos bandidos. Sem pensar duas vezes, ela se lançou no meio dos bandidos e em poucos minutos tinha eliminado três e o restante havia fugido, levando os feridos, embora ela também não tivesse saído ilesa da luta, com vários cortes e escoriações.
Quando ela se virou para ver se as vítimas sobreviventes do assalto estavam bem, ela notou o medo nos olhos delas: não só haviam se assustado com a maneira como uma pessoa sozinha e aparentemente desarmada havia derrotado os bandidos, como no final da luta, o capuz que ela costumava usar caiu, revelando sua aparência inumana. Tão absorta ela estivera ao lutar para ajudar aquelas pessoas que, por um instante, se esquecera de sua condição.
- Eu sei que a minha aparência é assustadora, mas não pretendo feri-los, minha única intenção foi ajudar. Mas não se preocupem, que já estou indo embora.
Dito isso, ela levantou novamente o capuz e ia voltar para a floresta, quando ouviu um grito. A criança menor estava correndo em sua direção e os pais estavam tentando chamá-la de volta, preocupados com o que aquela “fera” poderia fazer com ela. A menina se postou na frente de Silua e agradeceu:
- Meus pais sempre me disseram que monstros são malvados, mas você nos ajudou, então não pode ser um monstro. Obrigada.
Comovida com a reação da criança, Silua se agachou e abraçou-a. Ao erguer os olhos, viu que os pais e a outra menina se aproximavam, e se levantou, temendo uma confrontação. Ao tentar se afastar, o homem fez um gesto, pedindo que esperasse:
- Estranha, peço desculpas por nossa reação agora a pouco. Nós estávamos assustados com o que estava acontecendo e nunca tínhamos visto alguém como você. Nós estaríamos cometendo uma injustiça com você, por não termos olhado além de sua aparência. Felizmente minha filha nos fez ver o erro que estávamos cometendo e gostaríamos de poder recompensar a sua ajuda de alguma forma.
- Não é necessário recompensa alguma, apenas fiz o que era certo, mas talvez vocês possam me ajudar com uma coisa. Estou à procura do santuário de Bast porque me disseram que talvez ela possa me ajudar com a minha corrente situação, vocês conhecem algo sobre isso?
- Infelizmente não, nós sabemos da existência desse culto, mas nunca vimos alguém ligado a ele, mas talvez o meu pai possa ajudar.Ficaremos felizes se puder nos acompanhar até a vila onde nós moramos.
- Agradeço a gentil oferta, mas receio causar problemas para vocês em relação aos seus vizinhos. A grande maioria das pessoas tem medo de mim.
- Não se preocupe, os moradores da minha vila são gente boa e honesta e meu pai é um dos líderes locais. Eu explicarei a eles sobre você. Falando nisso, esquecemos de nos apresentar: eu sou Alan, minha esposa é Karyn e minhas filhas são Kathy e Tracy.
- Prazer em conhecê-los, eu sou Silua. Então eu aceito a sua oferta, mas se a minha presença causar problemas a vocês, eu irei embora. Não quero prejudicá-los.
- Eu concordo, seja bem-vinda então.
Então Silua ajudou-os a recolher os corpos dos mortos para lhes dar um enterro digno e depois os acompanhou em direção a vila onde moravam, que ficava do outro lado da floresta, chamada Carvalho Antigo. Ao chegarem perto da vila, Alan pediu a ela para esperar ali, que ele iria falar com seu pai para explicar a situação. Algum tempo depois, ele voltou acompanhado de um senhor de idade, que ele apresentou como sendo seu pai, John.
- Então você é a jovem que salvou a vida da minha família. Alan me disse o que aconteceu com você e que procura o santuário de Bast. Eu infelizmente não sei onde fica, mas talvez um velho amigo meu que mora numa cidade não muito longe daqui possa descobrir. Eu vou mandar um mensageiro com uma carta para ele e você poderá ficar aqui como minha hóspede enquanto esperamos. E não se preocupe com os demais moradores, eles poderão estranhar a princípio, mas você verá que logo a aceitarão.
E o velho patriarca tinha razão. Aquelas pessoas simples, passado a surpresa inicial, a aceitaram como se fosse uma deles, sem se importar com sua aparência, e ela retribuía ajudando-os no que fosse possível. Para falar a verdade, ela não se sentia tão bem consigo mesma desde que fora capturada pelos cultistas. Alguns dias depois, o mensageiro voltou com uma carta, dizendo que o amigo de John não havia conseguido localizar o santuário mas iria continuar procurando por informações. A despeito da notícia desapontadora, Silua estava feliz por poder ser útil novamente, coisa que ela sentia falta, além da companhia das pessoas. A única coisa que a preocupava mais seriamente no momento era que aquela presença no fundo de sua mente ainda permanecia lá e parecia estar se fortalecendo lentamente. Ela não sabia o que significava aquilo, mas boa coisa não deveria ser, tanto para ela quanto para os que estivessem por perto.
Umas duas semanas depois, ela se encontrava na floresta, procurando ervas medicinais e talvez alguma caça, quando foi surpreendida pela aparição de um felino de grande porte, estranhamente familiar, que a olhava atentamente. Subitamente, uma lembrança de infância veio à sua mente: a de quando havia sido salva de um urso e escoltada até em casa por um felino misterioso. Surpresa, ela percebeu que, de alguma forma, esse felino que agora a observava era o mesmo de tantos anos atrás. Como poderia ser o mesmo animal, depois de tanto tempo e numa floresta diferente, ela não sabia, mas ficou feliz em vê-lo.
- Não sei se você realmente é aquele que me ajudou quando eu era criança, mas está aqui para me ajudar, não está?
O leopardo-das-neves fez um gesto afirmativo com a cabeça e depois deu a entender que queria que Silua o seguisse. Ela então perguntou se podia se despedir de seus amigos primeiro, já que não sabia quanto tempo iria ficar fora ou se poderia voltar algum dia. O animal concordou e ficou esperando ali, enquanto ela voltava à vila. Ela agradeceu a hospedagem e amizade deles e disse que ela voltaria para visitá-los, se pudesse. A maior parte da vila estava presente, quando ela se despediu e voltou ao interior da floresta, para se reunir ao felino que a levaria, com sorte, a uma mudança no seu destino.
A escolha
A estranha dupla viajou durante algum tempo até chegar à região da Floresta das Cinzas, onde o felino a conduziu por um caminho semi-oculto entre as árvores até chegar ao que parecia ser a entrada de uma caverna. Depois de entrar, eles prosseguiram por um túnel até chegar numa grande câmara com abertura para o céu, o que permitia o crescimento de vegetação ali, inclusive árvores. Vários felinos, de diferentes espécies, se encontravam ali, desde alguns de maior porte até outros do tamanho de gatos domésticos. Silua reconheceu alguns deles, como um puma e um lince, mas a maioria era desconhecida para ela.
O leopardo-das-neves a conduziu até uma câmara menor adjacente, onde foi saudada por um elfo, que se apresentou como servo de Bast, lhe deu as boas-vindas e pediu que o seguisse, enquanto o leopardo voltava para a câmara anterior. A naturalidade com que o elfo a tratou fez com que Silua compreendesse que ela não era a primeira pessoa naquelas condições a procurar a deusa. Isso a deixou preocupada: quantos inocentes poderiam ter sido vítimas daqueles cultistas? O seu acompanhante notou isso e lhe assegurou que logo ela teria as respostas para suas perguntas. Enquanto caminhavam, iam passando por várias salas, onde as diversas atividades do santuário eram realizadas, e ela viu mais alguns poucos servos da deusa, incluindo humanos e meio-elfos.
Após uns minutos chegaram numa câmara menor, também com abertura para o céu, onde o elfo disse que ela deveria esperar ali, que a deusa já iria recebê-la, se afastando em seguida. Enquanto esperava, Silua observava a aparência do lugar, admirando como a decoração se mesclava de forma natural com as paredes da câmara. Embora houvesse iluminação natural ali, existiam suportes com velas espalhados junto às paredes, provavelmente para ofícios noturnos ou talvez alguma cerimônia. Na extremidade oposta encontrava-se uma espécie de trono esculpido diretamente na pedra e entre ele e a parte central da câmara havia uma figura em forma de cabeça de gato desenhada diretamente no chão.
Instantes depois, uma mulher entrou na câmara por uma passagem lateral, se sentou no trono e fechou os olhos, como se estivesse se concentrando. Subitamente um leve brilho começou a emanar do seu corpo e ela abriu os olhos, mostrando que as pupilas haviam assumido a aparência das pupilas de um gato. Ao ver isso, Silua lembrou-se de algumas histórias que havia ouvido quando criança, sobre deuses que se manifestavam para seus servos canalizando seu poder através de um mortal.
- Bem-vinda ao meu santuário, Silua Laeral.
Silua, em sinal de respeito, havia se ajoelhado e curvado a cabeça, mas Bast gesticulou, pedindo que ela se levantasse. Ao erguer-se, ela notou que a deusa a olhava atentamente, como se a sondasse de alguma maneira. A jovem hesitou por um instante, indecisa a respeito de como deveria agir.
- Não se preocupe, jovem humana, eu tenho a cura que procura, mas antes gostaria que escutasse o que eu tenho a dizer, pois tenho uma proposta a lhe fazer.
Intrigada pelo motivo que levaria Bast a estar interessada nela, ela concordou. Então Bast explicou sobre a natureza da maldição que havia sido lançada em Silua e em inúmeras outras vítimas: o que o ritual fazia era capturar o espírito de um felino, corrompê-lo e uni-lo à vítima escolhida. Essa união é que causava as mudanças físicas, mas também causava outro efeito colateral, ainda mais grave. O espírito, sob o efeito da corrupção, irá tentar assumir o controle do seu hospedeiro involuntário. A cada luta em que um amaldiçoado se envolver, existe uma chance do espírito assumir o controle temporário do seu corpo, fazendo com se descontrole e se torne uma fera assassina. Aqueles com maior força de vontade terão maiores chances de resistir a isso, mas com o tempo, até esses sucumbirão, já que o espírito se fortalece cada vez mais a medida que o tempo passa, caso não procurem ajuda a tempo. Com o tempo, a vítima não terá mais condições de resistir e perderá a sanidade de maneira definitiva. O que ela fazia para ajudar os amaldiçoados que chegavam até ali era livrar o espírito felino da corrupção e depois removê-lo da vítima, fazendo com que ela voltasse ao normal.
Mas, além disso, seria necessário achar uma maneira de combater os cultistas e ajudar a deter os que tivessem enlouquecido. Os seus seguidores não-felinos eram poucos e a maioria não tinha muita aptidão para a luta. O que ela precisava era de um grupo de seguidores especiais, guerreiros que agissem em seu nome. E ela encontrou uma solução que não só lhe permitiria obter esses guerreiros mas também converter em algo bom parte da maldade causada pelos cultistas. Ela criou uma versão modificada do ritual de cura para que, além de não remover o espírito ao final do processo de purificação, iniciar um processo de harmonização entre ele e seu hospedeiro. Isso permitiria ao hospedeiro manter suas habilidades felinas sem correr o risco de perder a sanidade. Além disso, à medida que ele se tornasse mais experiente, iria receber cada vez mais habilidades decorrentes dessa união.
Mas isso tinha um preço: o hospedeiro iria permanecer na forma de felino humanóide para o resto de sua vida, com todos os problemas decorrentes disso. E obviamente, pouquíssimos indivíduos estariam dispostos a fazer esse sacrifício, mesmo se fosse para ajudar os outros. Por isso, ela só realizava esse ritual em quem realmente estivesse disposto a isso e tivesse condições de suportar o fardo.
- Eu a observei atentamente desde que você entrou em meu santuário, Silua, e identifiquei em você as características que procuro. Por isso, lhe ofereço a escolha entre a cura da maldição ou entrar para o meu serviço e se tornar um dos meus Discípulos.
Silua sentiu-se estranhamente dividida ao ouvir isso, já que uma parte dela queria voltar para a sua antiga vida e rever a família, enquanto que a outra desejava lutar para que outros não sofressem o mesmo destino dela e de inúmeras outras vítimas nas mãos de indivíduos com propósitos malignos, mesmo que isso significasse abrir mão de sua humanidade. Bast, observando o seu conflito interior, lhe disse que poderia levar o tempo que achasse necessário para tomar a sua decisão e que poderia ficar hospedada ali no santuário enquanto isso.
Logo depois, um dos servos surgiu e conduziu Silua até um pequeno aposento, que lhe serviria de quarto enquanto permanecesse ali no santuário. Ao deitar-se, Silua começou a pensar em tudo o que lhe havia acontecido, enquanto imagens do passado surgiam em sua cabeça, sendo examinadas e comparadas. Logo depois do amanhecer, Silua saiu do quarto e voltou à câmara cerimonial, onde Bast a esperava.
- Eu pensei muito sobre o assunto e finalmente tomei minha decisão. Embora eu sinta falta da minha família, também compreendo a necessidade de se evitar que outros inocentes passem pelo o que passei ou pior. Por isso, aceito me tornar uma das suas Discípulas e dedicar minha vida a proteger os inocentes e combater o mal.
Bast aquiesceu e fez um sinal para o servo que se encontrava do lado de fora da câmara, pedindo que avisasse os demais. Não muito tempo depois, os servos do santuário haviam se reunido na câmara, permanecendo na metade oposta à do trono. Enquanto isso, Silua havia se posicionado em cima da imagem do gato no chão, ajoelhando-se. A deusa aproximou-se, colocou a mão em cima da cabeça da jovem e pronunciou algumas palavras. Ela logo começou a sentir uma energia cálida e agradável percorrer o seu corpo. Também percebeu que aquela presença no fundo de sua mente, que agora ela sabia ser o espírito corrompido do felino que havia sido unido a ela, começou a se agitar, como se estivesse tentando resistir à magia que agora atuava nela. Mas não demorou muito e o espírito se aquietou e embora Silua ainda pudesse senti-lo, aquela sensação ruim havia desaparecido.
- Está feito. Agora você é uma Discípula.
Silua levantou-se e logo começou a receber cumprimentos de todos os presentes ali, enquanto Bast sorria. Era o início de uma nova vida para Silua e ela esperava se mostrar digna dela.
Um novo começo
Durante os meses seguintes, Silua permaneceu no santuário e na floresta ao redor, treinando suas habilidades e aprendendo a respeito de Bast e seus seguidores. Ela participava das cerimônias e aprendeu a reconhecer as diferentes espécies de felinos existentes, o que lhe permitiu inclusive identificar o espírito vinculado a ela: uma onça, um grande felino comumente encontrado em florestas tropicais, mas que também podia ser encontrada em outros lugares, até mesmo em campos abertos e planícies alagadiças. Também aprendeu que, assim como ocorria com alguns outros animais, como ratos, lobos e ursos, alguns felinos também possuíam versões atrozes, sendo que os mais comuns eram tigres e leões.
Ao praticar suas habilidades, descobriu que, além das habilidades que já possuía anteriormente por causa da maldição, havia desenvolvido também a habilidade de falar com qualquer felino. Essa característica, aliada às técnicas de empatia que aprendeu, permitia lidar com maior facilidade com qualquer felino que encontrasse, inclusive os de natureza mágica. Também descobriu que, se conseguisse se aproximar de um oponente sem ser notada, poderia usar seu conhecimento dos pontos vitais dele para causar mais dano. Mas durante esse tempo todo ainda não tinha visto outro discípulo, embora não fosse tão estranho, já que eles ainda eram poucos e não costumavam permanecer muito tempo ali, quando apareciam, já que sua presença era mais importante lá fora.
Um dia, o mesmo leopardo-das-neves que já havia ajudado-a anteriormente, reapareceu por lá, só que dessa vez, revelou a sua verdadeira natureza: a de um discípulo chamado Daeali, embora obviamente bem mais experiente do que ela, tendo já atingido a harmonização total com seu espírito. Ele confirmou que realmente era ele quem a tinha ajudado quando criança, na época ele recém havia adquirido a habilidade de assumir sua forma felina – habilidade que Silua também iria desenvolver, quando se tornasse mais experiente – e estava explorando aquela floresta, quando a escutou e decidiu investigar o que estava acontecendo. Depois disso, ele costumava vir até lá sempre que precisasse passar por aquela região, só para observar a distância como ela estava indo, pois havia ficado impressionado que ela não havia tido medo dele, mesmo em sua forma felina. A última dessas visitas havia sido no ano anterior, quando ficou sabendo que Silua havia viajado até uma vila mais distante, mas que já deveria ter voltado vários dias antes. Preocupado, ele decidiu investigar e acabou descobrindo que ela havia sido pega pelos cultistas. Ele tentou localizá-la nas semanas seguintes, mas só obteve sucesso quando ela parou em Carvalho Antigo, onde ela foi vista por um dos seus amigos felinos, que conseguiu entrar em contato com ele, permitindo que fosse até lá e a ajudasse a chegar até Bast. Daeali ainda permaneceu mais uns dias ali, e antes de prosseguir viagem, Silua agradeceu a ele mais uma vez por tudo o que ele havia feito por ela.
Era o início do degelo da primavera quando Silua foi chamada à presença de Bast:
- Silua, você completou seu período de aprendizagem aqui e está pronta para assumir seu pleno papel como uma Discípula. A todos os discípulos que estão prontos para irem para o mundo exterior, eu concedo uma benção: uma pequena porção de meu poder divino, que lhe dará algumas habilidades especiais extras que a ajudarão lá fora. Inicialmente você receberá a habilidade de curar pequenos ferimentos, mas limitada a duas vezes por dia,além de um pequeno aumento na sua habilidade em evitar ferimentos, mas posteriormente novas habilidades deverão surgir.
Dito isso, Bast colocou a mão sobre o peito de Silua, na região do coração, e um leve brilho começou a emanar ali, que logo se espalhou pelo corpo de Silua e desapareceu. Ela também colocou ao redor do pescoço de Silua um medalhão com uma cabeça de gato esculpida, que era seu símbolo. Embora não fosse mágico, ele a identificaria como uma agente de Bast para quem conhecesse o símbolo.
- Só uma última coisa antes que você comece a sua missão: andei recebendo uns presságios nos últimos dias, que me indicaram que você deverá ir até a vila de Othalos, não consegui descobrir o motivo, mas é algo importante para o seu futuro. Mas não se preocupe, terá uns dias para visitar os seus amigos daquela vila, antes de ir para lá.
Silua sorriu ao ouvir isso, porque era justamente no que ela estava pensando. Ela se ajoelhou num gesto respeitoso, depois foi para seus aposentos, pegou seus poucos pertences e na saída, despediu-se dos demais. Ao ver a vila à distância, uma ponta de preocupação passou por sua cabeça, afinal ela havia saído dali em busca de uma cura e agora voltava aparentemente do mesmo jeito. Mas ela não precisava ter se preocupado: embora os seus amigos e os demais moradores tivessem estranhado a princípio, eles aceitaram a explicação que ela deu sobre os motivos de ter escolhido aquele caminho. Uma das primeiras coisas que fez foi enviar um mensageiro até a sua vila natal com uma carta para seus pais, só para avisá-los que estava viva e bem, mas que no momento não iria voltar para casa, por ter encontrado sua missão na vida. Ela permaneceu uns dias ali e na véspera de seguir viagem rumo a Othalos, Alan e sua família foram falar com ela:
- Silua, desde que você nos salvou a vida naquele dia, não pudemos agradecê-la apropriadamente. Eu sei que você não quis nada, mas eu falei com o meu pai e nós decidimos lhe dar algo que a ajudará em sua missão. É uma armadura de mitral que pertenceu a um antepassado nosso, um dos fundadores da vila. A armadura possui um leve encantamento de proteção e pedi ao nosso ferreiro para fazer uma pequena adaptação nela para o seu uso. Nós e nossos antepassados ficaremos felizes em saber que a armadura está sendo usada novamente, e para um propósito nobre.
- Então eu agradeço o seu presente e prometo que farei bom uso dele.
No dia seguinte, já usando a armadura recebida de presente – ela até havia sorrido ao ver a adaptação, que era uma abertura para que sua cauda pudesse passar – e tendo adquirido alguns suprimentos, ela se despediu dos seus amigos, prometendo voltar sempre que tivesse a oportunidade, e se pôs a caminho de Othalos, sem saber o que o futuro reservava a ela, mas disposta a enfrentar o que viesse pela frente…
Classe
Discípulos de Bast são os agentes da deusa dos felinos. Os membros dessa classe surgem de maneira dramática: são vítima de uma maldição, que os transformam num felino humanóide, lançada por um culto misterioso, inimigo da deusa (já que esses indivíduos são mal-vistos pela população e podem causar problemas). Para conseguir a cura, ele terá que procurar Bast, que lhe dará uma opção: a cura ou tornar-se um Discípulo. Mesmo que a maioria opte pela cura, alguns acabam optando por se tornarem discípulos.
Caso aceite se tornar discípulo, manterá sua forma de felino humanóide, refletindo a ligação com a deusa, receberá habilidades pro-venientes dessa natureza híbrida, e viajará pelo mundo, protegendo a natureza, especialmente os felinos, e combatendo o mal.
O Discípulo também recebe depois de algum tempo a habilidade de se transformar num felino, do mesmo tipo que ele representa. Essa forma felina sempre será um exemplar perfeito da espécie e é in-distinguível de um animal comum, exceto pelo brilho de inteligência nos olhos.
Mas essas habilidades cobram o seu preço: a maioria das pessoas terá medo do Discípulo, devido a sua aparência assustadora, o que o torna um solitário, mas será um grande amigo e aliado para quem enxergar além de sua aparência.
O culto e a maldição: embora possa parecer estranho usar uma maldição desse tipo contra uma deusa que lida com felinos, já que suas vítimas podem procurar Bast para conseguir a cura e uns poucos até se juntam às suas fileiras, existe um motivo por trás disso. Ao contrário do que acontece com os discípulos, essa maldição causa um desequilíbrio entre a mente da vítima e a personalidade do felino, fazendo com que possa perder a cabeça numa briga, o que pode ser bem assustador, caso haja testemunhas. Isso prejudica a aceitação dos discípulos ainda mais, já que a grande maioria não sabe diferenciar entre um amaldiçoado e um discípulo.
Além disso, a maldição afeta mais fortemente aqueles que possuem força de vontade menor, tornando-os mais poderosos, mas também mais desequilibrados, o que pode levá-los a ignorar a busca pela cura ou demorar demais, o que tem uma conseqüência grave: se a vítima continuar nessa forma por muito tempo, sem tornar-se um Discípulo, irá lentamente perder sua sanidade e tornar-se uma fera descontrolada. Esses indivíduos tornam-se muito perigosos e devem ser detidos, caso o Discípulo encontre um.
Mas, caso o amaldiçoado deseje se unir a Bast, ele se livrará desse problema e terá controle completo sobre suas características felinas.
Informações de jogo
| Nível | Bônus Base de Ataque | Fortitude | Reflexos | Vontade | Especial |
|---|---|---|---|---|---|
| 1° | +1 | +0 | +2 | +2 | Ataque Desarmado Feral, Ataque Furtivo + 1d6, Empatia com Felinos, Falar com Felinos, Aparência Felina, Poder Celestial |
| 2° | +2 | +0 | +3 | +3 | Faro, Rastrear, Bote |
| 3° | +3 | +1 | +3 | +3 | Sentidos Felinos +2 |
| 4° | +4 | +1 | +4 | +4 | Evasão, Forma Felina |
| 5° | +5 | +1 | +4 | +4 | Ataque Furtivo + 2d6, Visão na Penumbra |
| 6° | +6/+1 | +2 | +5 | +5 | Camuflagem, Tiro Certeiro |
| 7° | +7/+2 | +2 | +5 | +5 | Esquiva Sobrenatural |
| 8° | +8/+3 | +2 | +6 | +6 | Lutar às Cegas, Tiro Preciso |
| 9° | +9/+4 | +3 | +6 | +6 | - |
| 10° | +10/+5 | +3 | +7 | +7 | Ataque Furtivo + 3d6, Sentidos Felinos +4 |
| 11° | +11/+6/+1 | +3 | +7 | +7 | Visão no Escuro, Esquiva Sobrenatural Aprimorada |
| 12° | +12/+7/+2 | +4 | +8 | +8 | Evasão Aprimorada, Oportunismo |
| 13° | +13/+8/+3 | +4 | +8 | +8 | Mimetismo |
| 14° | +14/+9/+4 | +4 | +9 | +9 | Rastreador Eficaz |
| 15° | +15/+10/+5 | +5 | +9 | +9 | Ataque Furtivo + 4d6 |
| 16° | +16/+11/+6/+1 | +5 | +10 | +10 | - |
| 17° | +17/+12/+7/+2 | +5 | +10 | +10 | Sentidos Felinos +6 |
| 18° | +18/+13/+8/+3 | +6 | +11 | +11 | - |
| 19° | +19/+14/+9/+4 | +6 | +11 | +11 | - |
| 20° | +20/+15/+10/+5 | +6 | +12 | +12 | Ataque Furtivo + 5d6 |
Habilidades: A Força aumenta a capacidade de o Discípulo causar danos no combate corpo-a-corpo, inclusive ao usar somente suas armas naturais. A Constituição garante mais pontos de vida, o que o ajuda a sobreviver mais tempo. Uma Destreza elevada permite que ele possa se esquivar mais facilmente dos ataques, permitindo o uso de armaduras mais leves e a Sabedoria governa grande parte de suas perícias.
Tendência: Qualquer uma boa, embora leal não seja muito adequada, devido à natureza independente dos felinos.
Dado de Vida: d8
Especial: Classe de História. Proibida a Multiclasse.
Perícias de Classe
As perícias de classe (e a habilidade chave delas) de um discípulo de Bast são: Acrobacia (Des), Adestrar Animais (Car), Cavalgar (Des), Concentração (Con), Conhecimento(natureza), Cura (Sab), Equilíbrio (Des), Escalar (For), Furtividade (Des), Intimidar (Car), Natação (For), Observar (Sab), Ouvir (Sab), Procurar (Int), Saltar (For) e Sobrevivência (Sab).
Pontos de Perícia no 1° Nível: (6 + modificador de Inteligência) x 4
Pontos de Perícia a cada nível subseqüente: 6 + modificador de inteligência
Características de Classe
Usar Armas e Armaduras: O Discípulo sabe usar todas as armas simples e comuns e armaduras leves.
| Nível | Mordida | Garra |
|---|---|---|
| 1° | 1d6 | 1d4 |
| 5° | 1d8 | 1d6 |
| 10° | 1d10 | 1d8 |
| 15° | 2d6 | 1d10 |
| 20° | 2d10 | 2d6 |
Ataque Desarmado Feral (Ext): Um discípulo prefere usar as armas naturais da forma que lhe foi concedida por sua deusa. Ele sente orgulho e prazer em utilizá-las. Conforme mais bênçãos da deusa recaem sobre o personagem, suas armas naturais se tornam mais afiadas e resistentes. Ele possui um ataque de mordida e dois de garras (um em cada mão). Quando realiza um ataque total, o discípulo recebe uma penalidade de -5 em seus ataques com as garras, a não ser que ele esteja no 3° nível, onde se penalidade não se aplica mais. O dano causado pela mordida e garras do discípulo é determinado pelo seu nível e progride de acordo com a tabela abaixo:
Independente do nível, o ataque de mordida de um discípulo utiliza o modificador de força multiplicado por 1,5 como bônus para o dano e os ataques de garra utilizam o modificador de força. No 11º nível recebe um segundo ataque com uma garra e no 16º com a outra (ambos com a penalidade normal de -5)
Quando um discípulo atinge o 6° nível seus ataques desarmados são considerados mágicos para fins de ignorar a redução de dano devido às graças de Bast sobre o personagem. E com o tempo suas garras e presas vão se tornando tão resistentes e poderosas que ao atingir o 12° nível elas são consideradas de adamante para fins de sobrepujar a redução de dano.
Ataque Furtivo (Ext): Os felinos são mestres em atacar furtivamente, acertando pontos vitais do oponente. Se um discípulo de Bast puder atingir um oponente incapaz de se defender adequadamente de seu ataque, ele será capaz de golpear um ponto vital e causar mais dano. Basicamente, esse ataque causa um dano adicional sempre que a vítima não puder se beneficiar de seu bônus de Destreza na CA (existente ou não) ou estiver sendo flanqueada pelo discípulo de Bast. O dano adicional será de 1d6 no 1° nível e 1d6 adicional no 5° nível e a cada 5 níveis depois deste (10°, 15°, etc.). Se ele obtiver um sucesso decisivo, o dano adicional é multiplicado somente se ele estiver desarmado.
Os ataques à distância somente funcionam como ataques furtivos quando a alvo estiver num raio de 9 m. O discípulo não é capaz de mirar com precisão a uma distância maior.
Usando um bastão ou um ataque desarmado, é possível realizar um ataque furtivo que causa dano por contusão ao invés de dano letal. Não é possível utilizar uma arma normal para causar dano por contusão em um ataque furtivo, nem mesmo sofrendo -4 de penalidade, pois é necessário utilizar a arma da melhor maneira possível para desferir um ataque furtivo.
O ataque furtivo afeta somente criaturas vivas e de anatomia compreensível ― mortos-vivos, constructos, limos, plantas e criaturas incorpóreas não têm áreas vitais para serem atingidas. Toda criatura imune a sucessos decisivos também é imune a ataques furtivos. O discípulo precisa enxergar sua vítima com clareza suficiente para reconhecer um ponto vital e atingi-lo. Ele não é capaz de utilizar o ataque furtivo contra uma criatura camuflada ou se estiver atacando os membros de uma criatura cujas áreas vitais estejam fora de alcance.
Empatia com Felinos (Ext): Um discípulo de Bast é capaz de usar linguagem corporal, vocalizações e comportamentos para aprimorar a atitude de um felino. Essa habilidade funciona da mesma maneira que um teste de Diplomacia para aprimorar a atitude de uma pessoa. O discípulo realiza um teste especial com 1d20 + nível de discípulo de Bast + modificador de Carisma para determinar o resultado do teste de empatia com felinos. Um animal doméstico terá a atitude inicial Indiferente, enquanto os animais selvagens geralmente serão pouco amistosos.
Para usar a empatia com a natureza, um discípulo e o animal devem ser capazes de estudar um ao outro ― ou seja, estarem num raio de 9 m entre si e em condições normais de iluminação. Normalmente influenciar um animal dessa forma requer 1 minuto, mas semelhante a influenciar PdMs, a tarefa pode exigir mais ou menos tempo. Um discípulo de Bast pode usar essa habilidade para influenciar bestas mágicas “felinas” com Inteligência 1 ou 2, mas sofre -4 de penalidade no teste.
Falar com Felinos (Sob): essa habilidade funciona de maneira similar à magia falar com animais, embora o discípulo pode usá-la somente em felinos. Ele pode usá-la à vontade.
Aparência Felina (Ext): A aparência de um discípulo de Bast é inconfortável. Todas as outras criaturas não se sentem muito bem quando estão próximos de um deles. Isso talvez se deva ao fato de que sua aparência os assusta ou considerem ele uma aberração. Ele recebe uma penalidade de -4 em qualquer teste de carisma (exceto Intimidar) realizado contra qualquer criatura, com exceção de felinos, sendo que para estes recebe +2 de bônus.
Ele também recebe um bônus de +4 em Esconder-se e Furtividade em terrenos naturais. Em áreas de grama alta ou matagal o bônus em Esconder-se aumenta para +8.
Sua forma híbrida também lhe garante +2 de Destreza e +2 de Força no 1º nível, além de +1 de armadura natural (acumulativo com quaisquer outros bônus).
Faro (Ext): Ao atingir o 2° nível, um discípulo já conseguiu dominar com mais eficácia o seu corpo, ele desenvolve faro, podendo inclusive rastrear através de odores.
Rastrear: Um discípulo de Bast recebe Rastrear como um talento bônus ao atingir o 2° nível.
Bote (Ext): Caso salte sobre o adversário na primeira rodada de combate ou após uma investida, poderá usar a ação de ataque total, mesmo se já tiver usado a ação equivalente a movimento.
Sentidos Felinos (Ext): Os felinos possuem sentidos aguçados e logo o discípulo começa a demonstrar alguns desses, ele recebe o bônus indicado para testes de Ouvir, Observar e Procurar.
Evasão (Ext): Reflexos rápidos permitem a um discípulo de Bast que alcance o 4° nível desviar de magias e outros efeitos de maneira espetacularmente rápida. Sempre que o discípulo se tornar alvo de um ataque que permita um teste de resistência de Reflexos para reduzir o dano à metade (como um sopro de dragão ou uma bola de fogo), ele não sofrerá qualquer dano se obtiver sucesso no teste de resistência. A evasão somente poderá ser utilizada quando o discípulo estiver sem armadura ou utilizando uma armadura leve. Um discípulo indefeso (inconsciente, paralisado ou imobilizado) não recebe os benefícios dessa habilidade.
Forma Felina (Sob): Essa habilidade funciona de maneira similar à habilidade Forma Selvagem do druida, com a exceção de que o discípulo pode se transformar apenas num mesmo felino do mesmo tipo que ele representa. Ele pode se transformar à vontade.
Visão na Penumbra (Ext): Todos os felinos possuem uma acuidade visual bastante acentuada, inclusive enxergando muito melhor na presença precária de luz. Ao atingir o 5° nível, o discípulo desenvolve a habilidade Visão na Penumbra, permitindo com que ele enxergue duas vezes mais longe do que um humano normal na presença precária de luz (como uma tocha ou a luz das estrelas).
Camuflagem (Ext): Um discípulo de 6º nível ou superior é capaz de usar a perícia Esconder-se em qualquer tipo de terreno natural, mesmo se não houver cobertura ou esconderijo disponíveis.
Esquiva Sobrenatural (Ext): À partir do 7º nível, o discípulo adquire a habilidade intuitiva de reagir ao perigo antes que seus sentidos consigam identificar a ameaça. Ele conserva seu bônus de destreza na CA mesmo em situações de surpresa ou contra os ataques de um oponente invisível. No entanto, ele ainda perde seu bônus de destreza na CA quando estiver imobilizado.
Lutar às cegas: Devido aos seus sentidos apurados, um discípulo que alcance o 8° nível recebe o talento Lutar às Cegas como um talento bônus.
Visão no Escuro (Ext): Um discípulo que alcança o 11° nível conseguiu aprimorar algumas de suas características do lado felino, permitindo que ele enxergue mesmo na completa inexistência de luz. Ele adquire Visão no Escuro 18m (e quem já possui recebe Visão no Escuro 36m).
Esquiva Sobrenatural Aprimorada (Ext): À partir do 11º nível, o discípulo não poderá mais ser flanqueado, pois reagirá aos adversários das suas laterais com a mesma facilidade que reagiria a somente um atacante. Essa defesa impede que um ladino realize um ataque furtivo quando estiver flanqueando o personagem, a menos que o atacante tenha (no mínimo) 4 níveis de ladino acima do nível de classe atual do personagem.
Evasão Aprimorada (Ext): Similar a Evasão (veja acima), mas o lado felino de um discípulo afetou-o tanto que ele desenvolveu uma agilidade e reflexos fora do comum. Agora, além de não receber nenhum dano caso tenha sucesso no teste, ele recebe apenas a metade mesmo se falhar. As mesmas condições da Evasão ainda se aplicam.
Oportunismo (Ext): Uma vez por rodada, o discípulo poderá desferir um ataque de oportunidade contra um inimigo que tenha sido atingido em combate por outro personagem. Esse ataque é considerado no limite de ataques de oportunidade do discípulo naquela rodada. Mesmo se tiver Reflexos em Combate, não poderá usar essa habilidade mais de uma vez na rodada.
Mimetismo (Ext): Um discípulo de 13º nível ou superior é capaz de usar a perícia Esconder-se em qualquer tipo de terreno, mesmo se estiver sendo observado.
Rastreador Eficaz (Ext): À partir do 14º nível, um discípulo consegue percorrer seu deslocamento normal quando estiver rastreando, sem sofrer a penalidade padrão de -5. Ele sofre -10 de penalidade no teste (em vez de -20) quando percorrer o dobro do seu deslocamento normal enquanto rastreia.
| Nível | Habilidades |
|---|---|
| 1°-2° | Curar ferimentos leves (3/dia), Benção, Proteção contra o mal |
| 3°-4° | Curar ferimentos moderados (2/dia) Ajuda, Detectar o mal |
| 5°-6° | Curar ferimentos graves (2/dia), Remover doenças, Pilar divino (*) |
| 7°-8° | Curar ferimentos críticos (2/dia), Neutralizar venenos, Destruição sagrada |
| 9°-10° | Curar ferimentos leves em massa (2/dia), Dissipar o mal, Círculo mágico de proteção contra o mal |
| 11°-12° | Curar ferimentos moderados em massa (2/dia), Cura completa (2/dia), Palavra sagrada |
| 13°-14° | Ressurreição, Restauração maior, Aura sagrada |
| 15°-16° | Curar ferimentos graves em massa (2/dia) |
| 17°-18° | Cura completa em massa |
| 19°-20° | Ressurreição verdadeira (1/semana) |
Poder Celestial (Ext): Um discípulo que tiver sangue celestial correndo em suas veias será afetado pelo ritual de criação de forma diferenciada: alem das habilidades comuns a todos os discípulos, também terá sua herança celestial despertada e será transformado gradativamente num meio-celestial, com algumas alterações para refletir seu estado incomum. Ele recebe os seguintes bônus:
- Atributos: +2 Destreza no 9º nível e +2 a cada 3 níveis subseqüentes (12º, 15º e 18º).
- Resistência à magia (Ext): no 8° nível o discípulo recebe Resistência à magia igual ao seu nível + 10.
- Redução de dano 5/mágica no 9° nível e 10/mágica no 18°.
- Resistência à energia (Ext): reduz o dano sofrido por ataques de ácido, frio e eletricidade. Ignora uma quantidade de pontos de dano equivalente à metade do seu nível de classe (arredondado para baixo).
- Habilidades similares à magia: um discípulo de Bast recebe habilidades similares à magia de acordo com a tabela ao lado, note que essas habilidades são cumulativas. A não ser que seja notificado o contrário, ele pode usá-las uma vez por dia.
- Imunidade a doenças (Ext): a partir do 11° nível, um discípulo não pode mais ser afetado por doenças, mesmo as de origem sobrenatural (como a podridão das múmias e a licantropia).
- Ataques especiais: um discípulo recebe as habilidades de meio-celestial Luz do Dia no 6° nível e Destruir o Mal no 13°. Elas funcionam de maneira idêntica às de outro meio-celestial.
- Resistência a venenos (Ext): a partir do 10º nível, o discípulo recebe um bônus de +4 em testes de resistência de Fortitude contra venenos.
- Armadura natural: a partir do 14º nível, a armadura natural aumenta em +1
Discípulo de Bast Épico
Um discípulo de Bast épico é o servo extremo da Deusa, demonstrou sua fidelidade aos extremos. Ele não tem mais um lado felino e um lado humano ― ele é um só, fera e humanóide unos. Talvez agora já seja mais aceito pelas outras pessoas devido aos seus atos, mas ele nunca buscou aceitação, apenas faz o que ele e a sua deusa consideram certos.
Ataque Desarmado Feral: Os dados base do dano de um ataque de um discípulo não aumentam após o 20° nível. Ao invés disso, ele recebe +2 para dano no 23° nível e a cada 4 níveis após este (23°, 27°,31°, etc.).
Ataque Furtivo: O dano de um ataque furtivo de um discípulo de Bast aumenta em 1d6 no 25° nível e cada 5 níveis após este (25°, 30°, 35°, etc.).
Talentos Adicionais: Um Discípulo de Bast épico recebe um talento extra a cada 3 níveis após o 20°.
Lista de Talentos Adicionais do Discípulo de Bast Épico: Alpinista Lendário, Armadura de Pele, Arqueria de Combate, Ataque de Oportunidade Furtivo, Ataque Furtivo Aprimorado, Auto-Camuflagem, Cura Rápida, Deslocamento Épico, Destreza Maior, Destruição Maior, Enxame de Flechas, Foco em Arma Épico, Força Maior, Golpe Sagrado, Iniciativa Superior, Penetrar Redução de Dano, Poderio Épico, Rastreador Lendário, Redução de Dano, Reflexos Épicos, Resistência à Magia Aprimorada, Saltador Lendário, Tolerância Épica, Velocidade Ofuscante, Visão no Escuro Aprimorada, Vontade Épica.